“OS SERTÕES”
Dr. Oswaldo Galotti
O livro apresenta 646 páginas e está, pelo índice, dividido em 10
capítulos.
A TERRA (58 páginas)
O HOMEM (149 páginas)
A LUTA (preliminares - 30 páginas)
TRAVESSIA DO CAMBAIO (36 páginas)
EXPEDIÇÃO MOREIRA CÉSAR (65 páginas)
QUARTA EXPEDIÇÃO (45 páginas)
COLUNA SAVAGET (42 páginas)
O ASSALTO (67 páginas)
NOVA FASE DE LUTA (37 páginas)
ULTIMOS DIAS (55 páginas)
A TERRA (58 páginas)
O autor começa descrevendo, geograficamente, o grande maciço central
brasileiro para chegar à região do Vaza-Barris, ao norte da Bahia,
onde se passou a Campanha de Canudos. Demarca-a, e descreve sua
flora, sua formação geológica e a influência do clima. Procura
interpretar sua evolução geológica. Estuda-lhe a hidrografia e a
conformação orográfica.
Volta a considerar o clima da região expondo uma teoria sobre as
secas. Descreve geograficamente as caatingas com toda sua flora
específica e a influência que elas sofrem dos climas. Então chega ao
“agente geológico notável – o homem que, reagindo brutalmente contra
a terra madrasta, vem, historicamente desnudando-o, fazendo
desertos.
Considera as maneiras de combater os desertos com açudes, etc. Só
assim combateria o martírio que ali sofre o homem e que é
conseqüência do “martírio secular da Terra”.
Com a descrição do sertão de Canudos sumaria toda a fisiografia do
Nordeste.
O HOMEM (149 páginas)
Inicia, expondo o autoctonismo do “homo americanus”. Depois
considera a influência da variabilidade mesológica nos três
elementos essenciais de nossa formação étnica, dando a gênesis das
sub-raças, mestiças, do Brasil. Daí a heterogeneidade racial
brasileira e a impossibilidade de futura unidade de raça entre nós,
devido a particularidades específicas de cada elemento formador, tão
díspar. Para confirmar sua teoria cita exemplos em nossa
História.
Mostra o jagunço em sua gênesis, esparramando-se do Maranhão a
Bahia, passando pela gênesis do mulato. Expõe a função histórica do
Rio São Francisco na dinâmica social dos jagunços, descendentes de
paulistas, e no aparecimento dos vaqueiros que se insularam nas
regiões do interior. Nesse ponto surge Canudos, aglomerado de
alimentos de uma subcategoria étnica já constituída: o sertanejo do
norte. Mas a mistura de várias raças dá o tipo desequilibrado,
possuidor da moralidade rudimentar das raças inferiores. Insulados,
ficaram porém livres de uma adaptação, penosíssima, a um estágio
social superior. Faz análises desses nossos patrocínios: o
sertanejo, o gaúcho, estabelecendo comparações entre eles. Fala
sobre o jagunço, as vaquejadas, a arribada.
Descreve as tradições dos vaqueiros, o estouro da boiada, o
folclore, a influência das secas, a religiosidade mestiça. Conclui
que as agitações sertanejas são baseadas no fanatismo. Canudos, por
exemplo, é uma agitação nordestina, baseada no fanatismo. Monte
Santo já era um lugar lendário. Daquela complexidade étnica e sob
aquelas influências ecológicas e sociológicas era inevitável o
aparecimento de um Antônio Conselheiro. Fizeram-no santo devido ao
seu misticismo estranho, quase um feiticeiro. Ele não deslizou para
a loucura, porque o ambiente o amparou, respeitando-o. Antônio
Conselheiro descendia de cearenses do norte, de gente arrelienta que
há 50 anos sustentava uma rixa de família. Infeliz no
casamento-abandonado pela esposa raptada por um policial, e por isso
fulminado de vergonha - embrenha-se nos recessos dos sertões,
surgindo incógnito, missionário sombrio, no nordeste baiano. Era
produto condensado do obscurantismo de três raças, criando em torno
de si lendas que se espalhavam por toda aquela imensa região. A
Igreja tentou intervir, inutilmente. Canudos, que era um lugarejo
obscuro antes da vinda do Conselheiro, revivesse com sua chegada, em
1893, crescendo rapidamente, a pau a pique, chegando a possuir 5000
casas, com 15000 a 20000 habitantes.
Todo sertanejo que ali chegasse tornava-se logo um fanático. E, como
muitos deles eram bandidos, saqueavam lugarejos, conquistavam
cidades vizinhas, depredando-as. Eram subchefes do Conselheiro; José
Venâncio, com 18 mortes; Pajeú e seu ajudante – de – ordens Lalau;
Chiquinho e João da Mota, Pedrão, cafuz brutal; Estevão, disforme,
tatuado à faca e à bala; Joaquim Tranca-pés; “Major”Sariema; o
tragi-cômico Raimundo Boca-Torta, do Itapicuru; o ágil Chico Ema;
Norberto; o velho Macambira e seu filho Joaquim; Villa-Nova; a
figura ridícula, de mulato espigado, de Antônio Beato, meio
sacristão e meio soldado; e o chefe de todos João Abbade. Pregavam
contra a República, sem convicção, mais “como variante forçada ao
delírio religioso”. Um capuchinho lá estivera para converte-los
todos. Nada conseguira. Voltando, amaldiçoa a vida.
A LUTA – PRELIMINARES (30 páginas)
Uma desavença antiga com o Juiz de Direito de Joazeiro e não entrega
de madeira adquirida nessa cidade para o remate da igreja nova de
Canudos, em outubro de 1896, determinaram uma ameaça de assalto
àquela cidade por parte do Conselheiro.
Ameaçados, o Juiz pediu ao Governador do Estado da Bahia auxílio.
Foi, então, enviada uma força de cem praças, da guarnição estadual,
para bater os fanáticos de Canudos. Essa 1ª Expedição de Canudos foi
comandada pelo tenente Manoel da Silva Pires Ferreira, que após
longa caminhada bivacou, exausta, em Uauá. Atacada de surpresa pelos
soldados de Antônio Conselheiro, abandona a luta. “O revez de Uauá
requeria reação segura”. E.C.
A 2ª Expedição, comandada pelo major Febrônio de Brito, da força
estadual, veio melhor aparelhada, formada de 543 praças e 3 médicos.
Seria a “1ª Expedição regular” contra Canudos. Os fanáticos eram
comandados por João Grande, João Abbade, Pahejú, Macambira, pai e
filho, José Venâncio e outros.
TRAVESSIA DO CAMBAIO (36 páginas)
A 2ª Expedição fez base em Monte Santo e muito sofreu no ataque
planejado, na Travessia do Cambaio, não conseguindo chegar até o
arraial de Canudos. Retirou-se em condições penosas.
EXPEDIÇÃO MOREIRA CESAR (3ª expedição)
(65 páginas)
A 3ª Expedição, comandada pelo Coronel Antonio Moreira César, mais
numerosa e melhor equipada que as duas primeiras, fez base, também,
em Monte Santo. Eram 1.300 combatentes, fartamente municiados, com
cerca de 350.000 cartuchos e 70 tiros de artilharia. Não passava
idéia de alguém um revez. O 1º encontro foi no ribeirão de Pitombas.
João Abbade, o “corta-cabeças” , estava no comando da defesa dos
jagunços.
Seguiram e fizeram base no alto da favela, defronte Canudos, e daí
avançaram sem assegurar a retaguarda ou garantir os pontos perigosos
da travessia. Na investida contra a Tróia de taipas dos sertanejos
tiveram de recuar. Nessa retirada perderam o comandante Moreira
César e pouco mais tarde seu substituto Coronel Tamarindo que os
jagunços ergueram, empalado, no galho seco de um angico.
QUARTA EXPEDIÇÃO (45 páginas)
Alarmada com os resultados da luta toda envia batalhões para
combaterem os jagunços. Do Rio Grande do Sul, do Rio Grande do
Norte, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Bahia, etc.
seguiram soldados regulares para enfrentar inimigo odioso. Eram
5.000 homens, em 6 Brigadas. As 1ª, 2ª e 3ª Brigadas eram comandadas
pelo General João da Silva Barbosa e as 4ª, 5ª e 6ª comandadas pelo
General Cláudio do Amaral Savaget. O general Artur Oscar era o
comandante em chefe. As duas colunas partiram de pontos diversos e
deviam se encontrar em Canudos. Estavam com abundância de material
de guerra.
A 1ª expedição foi na frente e tomou o caminho das expedições
anteriores. Repetiu-lhes erros. Acampada defronte Canudos sitiou o
arraial e, em conjunto com a brigada do General Savaget, investiu-o
sem sucesso.
COLUNA SAVAGET (42 páginas)
A coluna do General Savaget parira de Aracajú. Possuía 2.350 homens.
De Geremoabo a Canudos fazia marcha esclarecida e firme. A margem do
Vasa-Barris deu-se o 1° combate de Cocorobó, que termina com ataque
dos lanceiros em formidável carga de baionetas e fuga dos jagunços.
No dia seguinte a peleja continua, em combate renhidíssimo (Combate
de Macambira) com a morte do Tenente Coronel Sucupira.
Unidas as duas colunas a guerrilha continuou, crônica, em refregas
furiosas e rápidas, longas reticências de calma, pontilhadas de
balas. Os jagunços atacaram a “matadeira”: 11 fanáticos invadiram o
centro do acampamento militar para destruir o canhão “Withworth 32”
que eles apelidaram “a matadeira”. Estavam comandados por Macambira.
10 foram mortos a baioneta tendo um escapado miraculosamente,
varando as fileiras agitadas. As tropas aguardavam uma briga
salvadora.
O ASSALTO (67 páginas)
As duas colunas, reunidas defronte Canudos, resolveram atacar.
Delineo-se o ataque. Eram 3.349 homens, divididos em 5 brigadas.
Seguiram alta madrugada. Tomaram posição de combate perigosíssima e
impraticável. Quando a luta começou levaram desvantagem. Caíram em
desordem. Despencavam pelos cerros abaixo. E os jagunços, invisíveis
das tocaias e dos esconderijos, fulminavam as brigadas. Sitiado o
arraial a investida fora sem sucesso. Desorganizados os batalhões
cada um lutava pela sua vida. Nessas condições “eram por igual
impossível – o avançamento e o recuo”. Tiveram quase 1.000 baixas,
entre mortos e feridos. O General Artur Oscar avaliou o estado das
coisas e pediu um corpo auxiliar de 5.000 homens. Seguiu, então a
Brigada Girard, dirigida pelo General Girard. Eram 1.042 praças, 68
oficiais e 850.000 cartuchos Mauser. Essa brigada não consegui
repelir o inimigo! e a retaguarda tinho sido alvejada.
Quando as primeiras levas de feridos e mortos chagaram à cidade do
Salvador a Nação surpreendida, abalou-se! Não era possível!
NOVA FASE DA LUTA (37 páginas)
Novos reforços foram então enviados. Mais 2 brigadas, com o total de
3.000 homens, uma entregue ao comando do Coronel Sampaio e outra ao
General Carlos Eugênio de Andrade Guimarães. E o próprio Ministro da
Guerra, Marechal Carlos Machado Bittencourt foi para o teatro de
operações. Conhecedor frio da arte de combater e descobrindo os
motivos das derrotas anteriores, conseguiu a vitória da 4ª Expedição
e aniquilamento de Canudos. Só fez usar o bom senso aplicado à
técnica militar, transmudando aquele conflito enorme, pródigo de
inúteis bravuras, numa campanha regular. Alguns chefes jagunços já
haviam desaparecido: Pajehú, João Abbade, Macambira, José Venâncio.
Restavm Pedrão, Norberto e outros. A 22 de agosto de 1897 falecia
Antônio Conselheiro. Os jagunços já não resistiam; recuavam. Canudos
estava bloqueado. A insurreição estava morta.
(Fazendo parte do reforço estava um batalhão policial de São Paulo,
ao qual Euclides da Cunha se agregou como observador para o campo da
luta).
ÚLTIMOS DIAS (55 páginas)
Fato imprevisto: o inimigo, agônico, reage inesperadamente e
vigorosamente. Mas logo depois decai a reação, atingindo o
desenlace.
Os soldados da República impunham às vítimas cenas cruéis:
“Agarravam-n’as pelos cabelos, dobrando-lhes a cabeça,
esgargalhando-lhes o pescoço e francamente exposta a garganta,
degolavam-n’as” ou “enleado o pescoço da vítima num cabresto,
estrangulavam ou esfaqueavam”. Rivalizavam-se aos jagunços em
barbaridades.
A 28 de setembro Canudos não respondeu às duas salvas de vinte
tiros. Era o fim. Foi dinamitada com 90 bombas nesse dia, terminando
em incêndio. Entregou-se o Beatinho e entregaram-se as mulheres e
crianças. Fez-se pequena trégua depois da qual recomeçou o tiroteio.
“Canudos não se rendeu”, resistiu até o esgotamento completo.