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MANOEL ROBERTO FERNANDES DA SILVA -  ( IN MEMORIAM)

 

            Vi o Manoel ser arrebatado no dia 11 de setembro de 2007. Ele tinha sessenta e sete anos; viajando de carro, a meio caminho entre Caconde e São José do Rio Pardo, deu três profundos suspiros e reclinou a cabeça.

            Quem foi ele para mim? Ou melhor, o que fomos um para o outro? Mandei gravar na lápide dele: “Meu amado é meu e eu sou dele” (Ct 2, 16). Sempre compartilhamos tudo, na vida religiosa, familiar, profissional e social, as quais são uma só e mesma vida. Vivemos juntos a nossa fé católica na 1ª comunidade neocatecumenal de Caconde, durante quase todo o nosso casamento, convivendo com cerca de 50 irmãos, unidos pelo mesmo Espírito; com estes irmãos fizemos a viagem da nossa vida: uma peregrinação a Roma e à Terra Santa, espécie de lua-de-mel com o Senhor Jesus. Desfrutamos as alegrias e as tribulações de uma família numerosa (oito filhos). Fomos ambos professores de Português (formados pela USP!), ele sempre muito mais amante da língua e da literatura do que eu (sabia tudo!). Tivemos (e eu ainda conservo) amigos muito bons.

            Euclides da Cunha foi para ele um referencial. Já doente, pretendia escrever em parceria comigo um livro que costurasse todos os artigos que escrevemos a duas ou a quatro mãos, cujo título seria “Os Sertões no Ateliê”; a tônica seria aquela que sempre houve em quase tudo o que produzimos: Euclides cientista e artista. Talvez eu ainda o faça.

            Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Coisas que ele me disse na doença: “Estou tão feliz, que queria ir embora.” “ Estou ficando desanimado.” “Nossa Senhora, minha mãe, minha mãezinha, vem me visitar!” “Estou angustiado.” “Deus não é só bom, Deus é muito bom!” “Eu te amo tanto, tanto...”

            O que é ele agora para mim? Meu irmão, que me aguarda na casa do Pai: “Já vim ao meu jardim, minha irmã, noiva minha” (Ct 5,1).

 

            Celinha.